Cortador de cana não consegue adicional de insalubridade
Comissão adia votação de projeto sobre centrais sindicais
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE) adiou a votação do projeto que regulamenta as centrais sindicais.
Sindicatos e alguns senadores já se posicionaram contrários à matéria, que já foi aprovada na Câmara.
A alegação é de que o fim do Imposto Sindical obrigatório iria prejudicar o funcionamento de sindicados, federações e confederações.
A matéria tramita em regime de urgência e também está em análise nas comissões de Assuntos Sociais e de Constituição e Justiça.
TRANSPARÊNCIA: MPT anula eleição em STR de Paraguaçu Pta. Novo pleito ocorre em dezembro
Comissão Eleitoral: A Comissão Eleitoral que responderá pela eleição sindical será composta por dois dirigentes indicados pela Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp/CUT) e outros dois dirigentes, indicados pela Fetaesp, sendo que as questões que não forem alvo de consenso tentarão ser dirimidas através Ministério Público do Trabalho.
Eleições: Ficou estabelecido que as eleições acontecerão no dia 16 de dezembro de 2007, no período das 08:00 às 17:00 horas, com a colocação, em local a ser oportunamente definido, de uma urna nas localidades de Paraguaçu Paulista (Sede do Sindicato), Oscar Bressane, Lutécia e Borá, além do Bairro da Roseta (Paraguaçu Paulista). A apuração será imediatamente após o encerramento da votação, na sede do Sindicato de Paraguaçu Paulista.
Somente poderão ser candidatos ou chamados a votar os trabalhadores rurais assalariados que comprovem contribuição nos últimos seis meses, a ser aferida de acordo com a listagem de votantes acima mencionada.
Fica sujeita à impugnação e exclusão do processo eleitoral a chapa que obtiver apoio direto e indireto dos empregadores para obter vantagem no pleito.
Os demais trâmites, inclusive prazo para registro e impugnação de candidaturas, seguirão as disposições estatutárias, sendo que quaisquer dúvidas deverão ser dirimidas na forma hoje realizada, ou seja, através de audiência perante o Ministério Público do Trabalho.
O presidente da entidade, na forma estatutária, fará a publicação dos editais para a realização do pleito, com publicação iniciai, preferencialmente para o dia 16 de novembro de 2007.
"Exaustão e calor provocam mau súbito em dezenas de canavieiros"
Diligência conjunta dos Procuradores do Trabalho Marcus Vinícius Gonçalves e Luís Henrique Rafael, do Ofício de Bauru, juntamente com os auditores-fiscais do trabalho Roberto Figueiredo, Avancini e Edmundo, do Grupo Móvel Estadual Rural, flagrou nos últimos dias 29 e 30 de outubro, a ocorrência de mau súbito em cerca de 30 cortadores de cana de açúcar que trabalhavam em frentes de trabalho da Usina Renascença, de Ibirarema. Durante a blitz vários trabalhadores relataram que no dia anterior 09 cortadores haviam sido internados no hospital de Ibirarema apresentando as seguintes condições de saúde: câibras, tremedeira, sudorese, vômitos, queda de pressão e desmaios.
Os obreiros relataram que na Sexta-feira e no Sábado anterior (dias 25 e 26/10) outros 20 trabalhadores passaram pelos mesmos problemas e abandonaram o corte. Muitos não foram atendidos no momento porque não havia ambulância disponível nas frentes de trabalho, assim como não havia sistema de rádio comunicação nos ônibus de rurais.
Além dessa situação gravíssima, outras irregularidades foram constatadas durante a blitz, dentre elas: falta de Equipamentos de Proteção Individual, falta de banheiros, assentos e mesas para refeição, excesso de jornada de trabalho, não observância do intervalo para refeição, não observância das pausas para relaxamento e alongamento, pagamento incorreto das horas in itinere, não fornecimento do preço da cana a ser corta, não discriminação no Atestado de Saúde Ocupacional dos riscos da atividade dos rurícolas.
Diante da gravidade da situação os auditores-fiscais autuaram a usina por "...não paralisar as atividades de corte de cana quando as condições climáticas oferecerem riscos à segurança dos trabalhadores".
Essa medida inédita consolida o entendimento de que é necessário impor limites à jornada de trabalho dos cortadores de cana de açúcar, que é imperioso estabelecer um sistema de pausas durante a jornada de trabalho, a fim de que os rurícolas tenham condições de repor energias e efetuar ginástica labora, medida que poderá evitar situações de exaustão e ocorrência de mau súbito (como constatado pela blitz) , assim como evitar que novas mortes ocorram em canaviais.
Para os Procuradores do Trabalho Luís Henrique Rafael e Marcus Vinícius Gonçalves, esses fatos são gravíssimos e já há elementos probatórios para que medidas judiciais sejam adotadas em face dessa e de outras usinas e/ou Cias Agrícolas, a fim de que a saúde e a vida dos rurícolas seja preservada com a adoção de mecanismos de redução de jornada sem redução de remuneração (média), bem como de que outras medidas preventivas passem a ser respeitadas e que poderão até mesmo levar à paralisação das atividades de corte de cana durante os dias de intenso calor (ou acima de determinada temperatura), conforme apuraram os auditores-fiscais do Grupo Móvel. Os Procuradores ainda diligenciaram ao Hospital Municipal de Ibirarema para verificar as Fichas Médicas dos rurícolas que foram atendidos, ocasião em que flagraram mais um trabalhador sendo atendido vítima de exaustão pelo excesso de trabalho e condições climáticas insuportáveis.
A Usina Renascença já foi alvo de uma Ação Civil Pública ajuizada pelo Procurador do Trabalho Luís Henrique Rafael (proc. 556/2007 - Vara do Trabalho de Ourinhos), por descumprir normas de segurança do trabalho rural. O acordo judicial será executado e nova ACP será ajuizada em face das novas ocorrências apuradas.
Canavieiros migrantes obtém verbas rescisórias e retornam aos seus estados de origem
Devido à greve realizada, o empregador demitiu todos os trabalhadores e depositou as verbas rescisórias que entendia devidas em juízo (perante a Vara do Trabalho de Lins-SP). Todavia, os trabalhadores denunciaram uma séria de irregularidades que haviam sido cometidas pelo empregador desde a contratação até a paralisação das atividades de corte, dentre elas:
a) desconto nos salários das despesas de transporte dos Estados de origem até a cidade dePromissão;
b) descontos nos salários dos valores relativos aos cobertores e colchões fornecidos, bem como dos valores correspondes aos facões e limas fornecidos;
c) não fornecimento do "preço" da cana a ser cortada no início da jornada de trabalho, não fornecimento e não reposição dos EPI's (equipamentos de proteção individual) necessários aos risco (luvas, óculos, perneiras, botas, mangote e chapéu),
d) inexistência de intervalos para almoço;
e) não realização das pausas para descanso e exercícios;
f) não fornecimento de galões de água e marmitas térmicas;
g) alojamentos e habitações coletivas em estado precário e sem higiene.
Diante do quadro denunciado os Procuradores do Trabalho Luís Henrique Rafael e Marcus Vinícius Gonçalves dirigiram-se até a cidade de Promissão onde vistoriaram os alojamentos e colheram depoimentos de alguns trabalhadores. Ato contínuo, o empregador foi convocado para uma audiência, no mesmo dia, nas dependências da Vara do Trabalho de Lins, ocasião em que foi celebrado um termo de compromisso de ajustamento de conduta, pelo qual foram ajustadas as seguintes obrigações:
a) O empregador Laerte Pedro Augusto desistiu de todas as 42 ações de consignação em pagamento ajuizadas em face dos rurícolas;
b) assumiu a obrigação de efetuar o pagamento das VERBAS RESCISÓRIAS inerentes à demissão sem justa causa a todos os rurícolas, incluindo: saldo de salário do último mês trabalhado, férias proporcionais, 13º salário proporcional, aviso prévio, multa de 40% do FGTS, expedição das Guias do Seguro Desemprego;
c) assumiu ainda as obrigações de: custear as despesas de transporte dos trabalhadores aos Estados e às cidades de origem dos mesmos (em média R$350,00 cada trabalhador, além do pagamento do valor de R$35,00 a título de ajuda de custo alimentação);
d) o empregador ainda efetuou a cada trabalhador o pagamento de uma indenização pelos danos causados no percentual de 20% (vinte por cento) do montante das verbas rescisórias pagas (indenização por dano moral);
A atuação do MPT de Bauru durou cerca de 48 horas entre o recebimento da denúncia e a celebração do termo de compromisso. Os trabalhadores (42) receberam todos os valores 03 (três) dias depois da celebração do TAC, devido à necessidade de efetivar a desistências das ações de consignação em pagamento e desentranhamento dos documentos rescisórios.
Os atos estão documentos nos autos do Procedimento Investigatório nº 32430/2007.
Liderança do “Orgulho Negro” se encontra com Ministra Matilda Ribeiro
Decisão judicial assegura o pagamento do adicional de insalubridade com base no piso salarial da categoria
Sentença originária da Segunda Vara do Trabalho de Assis, lavrada pelo Juiz Antonio Carlos Cavalcante de Oliveira, garante aos empregados do Grupo COCAL, que mantém usinas nas cidades de Paraguaçu Paulista e Narandiba, no interior do Estado de São Paulo, a utilização do piso salarial da categoria, conforme definido nos acordos e convenções coletivas de trabalho, e não mais o salário mínimo, como base de cálculo para o pagamento do adicional de insalubridade, para aqueles empregados que fazem jus a essa parcela, sob pena do pagamento de multa diária fixada em dez mil reais.
A decisão judicial foi proferida em ação civil pública ajuizada pelos Procuradores do Trabalho Marcus Vinícius Gonçalves e Luís Henrique Rafael em tempo recorde, no dia seguinte a terem conhecimento da irregularidade praticada pelo empregador, quando estavam em diligência que investigava as condições de trabalho dos rurícolas da empresa.
A ação fundamentou-se em decisões do Supremo Tribunal Federal, determinando a desvinculação do adicional de insalubridade ao salário mínimo desde a Constituição Federal de 1988, e do Tribunal Superior do Trabalho, impondo que o "adicional de insalubridade devido a empregado que, por força de lei, convenção coletiva ou sentença normativa, percebe salário profissional será sobre este calculado" (Súmula nº 17). Outro argumento utilizado pelos Procuradores foi que uma majoração do montante devido pela empresa à título de adicional de insalubridade "desestimularia a submissão do empregado a condições insalubres, em que se põe em risco a saúde, o conforto e a segurança do trabalhador, incentivando a empresa a procurar novos métodos ou rotinas de trabalho, novas medidas e equipamentos de proteção individual ou coletiva, novos produtos e maquinários, enfim, procedimentos e alternativas que propiciem ao trabalhador um meio ambiente de trabalho mais adequado, afastando-o do agente nocivo a sua saúde".
De acordo com os Procuradores, essa decisão beneficiará não só os empregados da COCAL, mas, indiretamente, irá repercutir em face das demais usinas que ainda utilizam o salário mínimo como base de cálculo do adicional de insalubridade, constituindo importante precedente que subsidiará o Ministério Público do Trabalho nas averigüações contra os demais empregadores, que doravante serão investigados minuciosamente quanto a este particular.
Sentença determina o pagamento das diferenças atrasadas referentes aos últimos cinco anos
Outro importante aspecto da decisão judicial foi o acolhimento do segundo pedido do Ministério Público, condenando a COCAL ao pagamento das parcelas atrasadas referentes às diferenças de adicional de insalubridade mediante a aplicação do piso salarial da categoria, a partir do dia 13/06/2002, sob pena de pagamento de multa diária estipulada em dez mil reais pela Segunda Vara de Assis, até a regularização do pagamento.
A decisão é importante porque colabora para evitar-se a desnecessária sobrecarga do Poder Judiciário, já que os trabalhadores que irão se beneficiar com o pagamento das diferenças atrasadas não precisarão ingressar com dezenas de reclamações trabalhistas para reinvidicarem seus direitos. Todos receberão nos próprios autos da ação civil pública movida pelo Ministério Público, independentemente do ingresso na Justiça do Trabalho com ações individuais, evitando-se a pulverização do caso em pequenas demandas.
O valor a ser recebido irá variar conforme a faixa salarial do trabalhador e o percentual do adicional de insalubridade a que ele faz jus, mas, de acordo com os Procuradores, o montante a ser percebido deverá ser significativo, já que a adoção da sistemática para cálculo do adicional de insalubridade determinada na sentença deverá, praticamente, dobrar o montante a ser pago mensalmente para cada trabalhador a esse título, desconsiderando o salário mínimo como base de incidência, o que, multiplicado pelos últimos cinco anos e acrescendo-se a esse valor a atualização monetário e os juros cabíveis, constituirá volumosa renda a ser paga a cada trabalhador após a liqüidação da sentença.
Eleição em sindicato de Paraguaçu Paulista está sob investigação do Ministério Público do Trabalho
Encontro Internacional debate futuro do trabalhador da cana
A principal preocupação dos sindicalistas presentes ao 1º Encontro Internacional de Dirigentes Sindicais da América Latina do Setor Sucroalcooleiro, foi traçar um panorama atual das condições de trabalho neste setor, e as melhorias a serem reivindicados com a expansão do mercado em todo o mundo.
Terceirização: Julgamento no TRT deve mudar os rumos das relações de trabalho no corte de cana
Eleições definirão novas direções nos STRs de Assis e Paraguaçu Paulista
Na quinta-feira, 18, trabalhadores irão escolher a Junta Governativa que será responsável pelo gerenciamento do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Paraguaçu Paulista pelos próximos meses, até que se faça eleição direta para escolha da nova direção. No mês passado, o Ministério Público do Trabalho apurou denúncias de malversação de dinheiro dos associados, o que acarretou na renúncia total da direção da entidade, a começar pelo presidente.
Operação “Navio Negreiro” autua ônibus irregulares em Bauru
Mais de vinte ônibus foram vistoriados, todos de transporte de trabalhadores do corte de cana na região. “O transporte de estudantes e coletivo urbanotem uma série de exigências que não são obrigatórias para o rural. Tinha que ser tudo igual”, protestou o Procurador Luis Henrique Rafael. Os Procuradores e a auditora fiscal levantaram muitas informações de irregularidades trabalhistas com a tomada de depoimento dos trabalhadores.
Colheita mecanizada deixa 159 mil desempregados em SP
A colheita de cana-de-açúcar 100% mecanizada no Estado de São Paulo deve deixar 159,3 mil desempregados. Esse número representa atualmente trabalhadores no corte manual, que ainda corresponde a 59% da área com a cultura.
De acordo com um estudo de pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria de Agricultura, a introdução de máquinas na colheita da cana desemprega cerca de 2,7 mil pessoas por safra para cada ponto porcentual a mais de área mecanizada. Para este cálculo, o IEA utilizou informações dos levantamentos da safra de cana de 2007, como quantidade colhida em média por homem, produção de cana e tempo da safra, considerando 132 dias efetivamente trabalhados.
Polícia liberta cortadores de cana de regime 'escravo'
A Procuradoria Regional do Trabalho (15ª Região) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) libertaram, na última sexta-feira, um grupo de 49 cortadores de cana-de-açúcar que atuavam há cerca de cinco meses em regime de escravidão em uma fazenda do distrito de Tupi, em Piracicaba. A maioria dos bóias-frias teria sido aliciada nos estados da Paraíba e da Bahia por José Maria Duca, proprietário de uma empresa que terceiriza mão-de-obra para produtores rurais. Além das condições subumanas de trabalho, eles moravam em alojamentos precários, localizados na periferia de Santa Bárbara d'Oeste. Muitos recebiam rendimentos abaixo do salário mínimo e tinham de pagar R$ 110,00 de alimentação e cerca de R$ 25,00 pelo aluguel da moradia oferecida pela empresa.
A denúncia partiu da Federação de Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp). Os cortadores de cana tiveram, no sábado, os seus contratos rescindidos e o fazendeiro terá de pagar uma indenização de R$ 2,5 mil cada um. No mesmo dia, o dono das terras fretou um ônibus e pagou outros R$ 250,00 para um grupo de 43 migrantes que decidiram voltar para suas cidades no Nordeste.
Além dos trabalhadores baianos e paraibanos, uma minoria era de Santa Bárbara mesmo. "Não havia condições de segurança e higiene. Era a forma degradante de trabalho, que no Código Penal atual coloca a condição de trabalho escravo", disse o procurador do MPT, Nei Messias Vieira, responsável pela apuração do caso.
A reportagem foi até o endereço onde está registrada a empresa de Duca, mas não conseguiu encontrar o suspeito de aliciar os migrantes. "Eu falei com ele por telefone. Nós fizemos o termo de ajustamento na Usina Furlan (compradora a produção de cana-de-açúcar da fazenda), mas ele não compareceu", disse o procurador. "Na verdade, não fizemos uma representação formal da parte criminal. Vamos apurar para delimitar a intervenção de cada uma das pessoas e, se houver indícios de materialidade, faremos o encaminhamento para a Polícia Federal ou ao Ministério Público Federal", afirmou Vieira.
Manifestantes ocupam escritórios do Itesp na região de Prudente
Obriga-nos o governo de José Serra a mobilizar as forças dos Trabalhadores da terra do Pontal, em PROTESTO, contra a usurpação de nosso direito sagrado de acesso à terra para trabalhar.
Trabalhadores rurais têm vantagens no comércio de PV
A iniciativa partiu do presidente do STR local, Rubens Germano, e faz parte do programa de vantagens aos trabalhadores que o Sindicato está implementando. De acordo com Germano, uma empresa especializada teve seus serviços solicitados para intermediar os convênios junto aos comerciantes.
“Sabemos que cada família consome a média de R$ 10 mil por ano, sendo o gasto dividido entre alimentação, vestuário, saúde, higiene e outros. Se nossos associados conseguirem a média de 15% de desconto, serão nada menos do que R$ 1,5 mil economizados por ano. É dinheiro que sobra para suprir outras necessidades”.
Para o presidente do STR, os convênios no comércio resultam num ciclo que trás vantagens não apenas ao trabalhador rural, como também à economia do município. “Com esse programa de vantagens, o trabalhador se motiva em associar ao Sindicato e manter a mensalidade em dia para que possamos investir na luta por melhores condições de trabalho e renda. Ao mesmo tempo, o sindicalizado terá o direito de conseguir melhores descontos em lojas, farmácias, supermercado, médicos de várias especialidades, oficina, papelaria, restaurante, produtos agropecuários e outros”, explica Germano. “Ele também gastará seu dinheiro na cidade, privilegiando o comércio e também fomentando a economia venceslauense”, conclui o sindicalista.
A empresa responsável pelos convênios é a VCV Consultoria, de Cuiabá (MT), cuja atual equipe está a dez anos neste ramo do mercado. Uma cartilha contendo os nomes das empresas e o percentual de descontos já está em estágio de impressão e será distribuída entre os sindicalizados do STR.
Lula diz que não gostaria de ser cortador de cana
Depois de afirmar que o trabalho nas minas de carvão é tão ou mais degradante que a atividade nos canaviais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao assunto nesta quinta-feira.
Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Lula afirmou que não gostaria de ser cortador de cana e que as pessoas só continuam nos canaviais porque não tiveram oportunidade de estudar ou não têm um emprego melhor.
O presidente voltou a defender o programa de biodiesel brasileiro e criticou, sem citar nomes, países que atacam a produção de etanol do Brasil por causa da exploração da mão-de-obra nos canaviais.
No entanto, admitiu que há problemas a serem superados na produção de etanol, sobretudo na área trabalhista. Uma das dificuldades é equacionar a mecanização no corte da cana com a reutilização dos trabalhadores em outras atividades.
Pesquisa da Unesp confirma: Cortador de cana tem vida útil de apenas 15 anos
O estudo mostra ainda que a quantidade de cana cortada por dia pelos trabalhadores rurais subiu nos últimos anos. Na década de 70, eram cortados cerca de 3 toneladas/dia. Agora, são pelo menos, 12 toneladas.
A pesquisadora Maria Aparecida de Moraes Silva, que acompanha os cortadores de cana há 30 anos, afirma que muitos trabalhadores sentem dores no corpo e sofrem deformações nos pés, além de problemas respiratórios.
O ex-trabalhador rural, Valdecir da Silva Reis, de 34 anos, é um exemplo de problemas após o corte de cana. Ele chegava a cortar 50 toneladas/dia, mas hoje não pode trabalhar por causa de dores nos braços. “Seria um prazer poder trabalhar”, disse.
A fiscalização do trabalho no campo é de responsabilidade do Ministério do Trabalho. Nos últimos três anos morreram 21 cortadores de cana-de-açúcar no Estado de SP. Existe suspeita de esforço exagerado no trabalho, mas os casos estão sendo investigados.
A última vítima foi o cortador Edmilson de Jesus Andrade, de 28 anos, de Guariba, na região de Ribeirão Preto. A morte está sendo investigada. A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única) informou que não conhece o método da pesquisa, mas que vai solicitar os dados.
Trabalho no corte de cana tem dias contados, diz estudo
A profissão do bóia-fria da cana-de-açúcar está com os dias contados no Brasil. É o que aponta estudo da Esalq/USP, que mediu os efeitos da mecanização das lavouras. Segundo a pesquisa, houve queda de 20,9% no número total de trabalhadores rurais no setor entre 1981 e 2004, que passou de 625 mil para 494 mil. Em contraste com essa queda, houve aumento de 166,3% na produção de cana no período -de 156 milhões de toneladas para 415 milhões de toneladas.
A mecanização vem aumentando ano a ano, segundo o estudo, por ao menos três razões: econômica, legal e social. Além do uso de máquinas otimizar a produção e substituir o pagamento de mão-de-obra -uma colheitadeira substitui o trabalho de cem cortadores de cana-, foram criadas leis para extinguir a colheita manual.
Segundo a economista Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes, da Esalq/USP e autora do estudo, o setor sucroalcooleiro tem absorvido cortadores de cana em algumas funções dentro da cadeia, como tratorista ou operador de caldeira de usina, mas a grande massa de trabalhadores -muitos analfabetos- ficará desempregada.
Em 2005, dos 519 mil trabalhadores da cana, 150 mil eram analfabetos -o Estado de São Paulo tinha 30 mil. "Claro que a mecanização vai desempregar e atingir justamente essas pessoas que não têm escolarização e não conseguirão ser absorvidas por outras formas de trabalho. São necessárias políticas públicas para começar a absorver essas pessoas, mas até agora nada está sendo feito conjuntamente", disse Azanha.
A pesquisa fez o levantamento da evolução do número de empregados baseado em dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
Caminho sem volta
Ao menos no Estado de São Paulo já existe uma data para o fim da profissão de cortador de cana: 2017. É o prazo final firmado entre usineiros e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, em protocolo assinado em maio deste ano, antecipando o limite de 2031 que havia sido imposto por lei estadual criada para eliminar gradativamente as queimadas de cana -as queimadas, feitas geralmente à noite, são necessárias para viabilizar o corte manual.
Outro fator é que nos últimos anos aumentou a cobrança pelo cumprimento das normas trabalhistas no campo, principalmente após a morte de 21 bóias-frias, desde 2004, supostamente por excesso de esforço no trabalho.
Neste ano, por exemplo, uma força-tarefa formada por Procuradoria do Trabalho e Subdelegacia do Trabalho, com apoio da Polícia Civil, fez várias blitze em canaviais e alojamentos de bóias-frias no Estado em busca de irregularidades trabalhistas, como a falta de registro, a não-utilização de equipamentos de proteção, jornada irregular e alojamentos precários.
Segundo a Unica (reúne as indústrias sucroalcooleiras), de 42% a 45% da produção de cana no Estado de São Paulo já é colhida por máquinas, índice acima do nacional -entre 35% e 37%. "A mecanização é uma trilha sem volta, e as usinas vão buscar capital para se desenvolver", disse Sérgio Prado, diretor da Unica na região de Ribeirão Preto -uma colheitadeira custa cerca de R$ 800 mil.
As novas usinas, por exemplo, já não contam mais com a figura do cortador de cana, disse Prado. Segundo ele, o papel de inserir os trabalhadores em outras áreas quando a função de cortador for extinta deve ser assumida em conjunto por empresas, sociedade e governo.
A massa de trabalhador sem formação é também migrante, principalmente da região Nordeste e do Vale do Jequitinhonha (MG). Muitas vezes eles embarcam para as zonas canavieiras atraídos apenas por comentários dos vizinhos sobre os ganhos no corte da cana.
"Só tem vindo gente nova. Cortador com mais de cinco anos de safra não chega mais", diz a irmã Inês Facioli, da Pastoral do Migrante. Segundo ela, os cortadores mais experientes não suportam mais a carga de trabalho. Neste ano, o campo tem assistido a um fenômeno revelador dos novos tempos: em plena safra, migrantes estão voltando para suas cidades por terem sido dispensados ou não encontrarem trabalho nas usinas.
Corte da cana vira a última (e cruel) opção de emprego
No campo, trabalhadores encaram fuligem, calor e ausência de direitos Jandira da Silva, 22 anos, sentiu ontem pela primeira vez o peso de trabalhar no corte da cana-de-açúcar. Até a semana passada ela produzia calçados numa pequena banca em Mineiros do Tietê (70 quilômetros de Bauru). Com pouco movimento, a patroa se viu obrigada a dispensar funcionários, inclusive ela.
Em Mineiros, a informação sobre vagas na lavoura corre de boca em boca.
Jandira soube anteontem que uma empresa procurava cortadores. Acertou e ontem mesmo já estava no campo. Facão em punho, entrou às 7h para trabalhar até às 16h, debaixo do sol forte que castiga toda a região.
As condições são no mínimo desfavoráveis. A fuligem da cana queimada sobe no ar com muita poeira. A temperatura passa fácil dos 30 graus. Jandira atua sem registro em carteira – diz que a entregou ao patrão há apenas um dia – e não recebeu botas seguras para o trabalho. Se ela soubesse que entraria na lavoura, talvez tivesse fabricado um sapato resistente e levado para o campo. “A banca de sapatos não suja a gente tanto como a cana”, compara. Mas o antigo ofício, hoje. é só lembrança.
Para Damião de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itapuí e Boracéia, a mão-de-obra “é escrava”. “É só ver como subiram o preço do açúcar e do álcool. E a situação do trabalhador é a mesma.”
O corte da cana revela situações dramáticas como a de Isaías Soares, 36. Ele se separou da mulher e perdeu sua única casa. Está com uma ordem de despejo e não tem para onde ir. “Eu passei a minha casa para a mulher e para as crianças depois da separação e agora não tenho mais onde ficar. Meu prazo para sair da casa já venceu nesse sábado”, conta ele.
O problema incomoda tanto que, quando um comboio de fiscalização do trabalho chega à plantação (leia abaixo), ele pensa ser a polícia para detê-lo ou despejá-lo.
“Você fica com o pensamento nas nuvens. Já procurei um advogado, não tenho mais o que fazer. Estou com medo de ir morar na rua.” Isaías trabalha desde os 6 anos e, no corte da cana, desde 1988.
Blitz do MPT interdita lavoura na região
A produção tem irregularidades como falta de equipamentos de segurança e de galões de água, que não são dados aos cortadores. “Para beber água, tem que trazer. Acabou, tem que tomar água no ônibus. Água quente. E não tem banheiro. Tem que ir no mato, onde tiver lugar”, explica o lavrador Valdecir Pinto, 31 anos.
Na Fazenda São Sebastião, trabalhadores não passaram por exame médico, não receberam treinamento e não têm local para refeições, enumera o procurador do Trabalho Luís Henrique Rafael. “Um ônibus está com o extintor vencido e sem freios. Tem carteiras de trabalho retidas. Vamos convocar as empresas, a terceirizada e a usina beneficiada. Pelo menos os itens de segurança serão exigidos imediatamente”, afirma.
Depois de flagrar a falta de recursos, a fiscalização interditou a frente de trabalho por tempo indeterminado, informa o coordenador do Grupo Estadual Rural do Ministério do Trabalho, Roberto Figueiredo. “Fica interditado até a regularização. Estamos levantando documentos e quais são as empresas beneficiadas”, disse, durante a tarde de ontem. O responsável pela produção não foi encontrado.
Ajustamento
Dezessete usinas do Grupo Cosan têm um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinado com o MPT (Ministério Público do Trabalho). Caso seja confirmado o envolvimento delas nas irregularidades de ontem, as sanções podem gerar a execução do TAC, que estipula multa de R$ 50 mil e mais R$ 3 mil por reincidência.
O compromisso atinge 20 mil trabalhadores e prevê que as usinas reduzam as terceirizações até 2010, quando já deverão ter todos os funcionários registrados diretamente. Na região, as usinas atingidas pelo TAC são Diamante (Jaú), Barra (Barra Bonita), Dois Córregos e Ipaussu.

